O Milagre Eucarístico de Douai
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O Milagre Eucarístico de Douai
Severiano Antonio de Oliveira - 2010/01/13

Um prodigioso fato presenciado por multidões de fiéis e relatado pelo Bispo de Cambrai, testemunha ocular.

Severiano de Oliveira.JPGSeveriano Antonio de Oliveira

Ano de 1267, domingo de Páscoa, entre 8 e 9 horas da manhã. Na cidade de Douai - norte da França, a meio caminho entre Amiens e Lille - o Pároco distribuía a Comunhão aos fiéis na igreja dos cônegos de Santo Amato.

De repente, sem saber como se dera o acidente, viu uma Hóstia no chão. Consternado, pôs-se logo de joelhos e estendeu a mão para recolher a sagrada Partícula. Mas eis que Ela, por si mesma, elevou-se da terra e foi colocar- se sobre o sanguinho (toalhinha de linho usada para enxugar o cálice da Missa). Enquanto seus olhos estavam piedosamente fixos na Santa Eucaristia, viu que ela se transformava em um encantador menino.

O celebrante deu um grito e chamou os Cônegos, os quais se encontravam no coro da igreja. Acorrendo à sua voz, estes perceberam, sobre a toalhinha sagrada, o menino cheio de vida. Os fiéis presentes foram chamados e todos, sem distinção, desfrutavam dessa celestial visão.

A aparição durou cerca de uma hora. Transcorrido esse tempo, desapareceu o Menino, restando sobre o altar a branca Hóstia consagrada. Então o Pároco encerrou-a no tabernáculo e cada um dos felizes assistentes saiu publicando o milagre pela cidade e suas redondezas.

A notícia chegou aos ouvidos do Bispo de Cambrai, Dom Tomás de Cantimpré, que se dirigiu logo a Douai. Chegando à casa do Deão dos Cônegos, do qual era muito conhecido, perguntou-lhe se ele também poderia ver a Hóstia milagrosa. De pronto, este concordou e acompanhou o Prelado à igreja. Em pouco tempo reuniu-se lá uma numerosa multidão de fiéis, convocados pelo toque do sino.

O que segue abaixo é reprodução exata do relato do próprio Bispo, testemunha ocular dos fatos.

Narração do Bispo de Cambrai

Abre-se o sacrário. O povo aproxima- se. Logo após ser aberto o cibório, cada um começa a exclamar:

- Aqui está, eu O vejo!

- Eis aqui o meu Salvador!

Eu estava de pé, tomado de admiração: eu não via senão a forma de uma Hóstia muito alva, e, entretanto, minha consciência não me reprovava por nenhuma falta que pudesse impedir-me de ver, como os demais presentes, o Corpo sagrado.

Mas este pensamento não me inquietou durante longo tempo, pois logo também eu vi distintamente a face de Nosso Senhor Jesus Cristo na plenitude de sua idade. Sobre sua cabeça estava uma coroa de espinhos, e da fronte corriam duas gotas de sangue que desciam sobre cada lado do rosto. Pus-me instantaneamente de joelhos e, em prantos, O adorei.

Quando me levantei, não percebi mais nem a coroa de espinhos nem as gotas de sangue, mas vi uma face de homem, venerável além de tudo quanto se possa imaginar. Ela estava voltada para a direita, de modo que mal se podia ver o olho direito. O nariz era longo e reto, as sobrancelhas arqueadas, os olhos baixos e dulcíssimos. Uma longa cabeleira descia sobre os ombros. A barba, que nunca havia sido cortada, ondulava debaixo do queixo, e, perto da boca, a qual era muito graciosa, ela se adelgaçava, deixando de cada lado do queixo dois pequenos espaços sem pêlo, como acontece ordinariamente aos homens jovens que deixam crescer a barba desde a adolescência. A fronte era larga, as faces magras, e a cabeça, junto com o longo pescoço, inclinava-se ligeiramente.

Eis aí o retrato, e tal era a beleza dessa dulcíssima face.

Durante uma hora, os presentes viam o Salvador debaixo de formas diferentes: uns O viam estendido sobre a Cruz; outros, como vindo para julgar os homens; outros, enfim, em maior número, viam-no sob a forma de um menino.

Um milagre repetido durante vários dias

Não restou, infelizmente, nenhum outro relato de testemunha ocular do milagre. Mas o autor dos "Anais de Flandres", falecido em Lille no ano de 1626, informa que ele durou vários dias, renovando-se cada vez que a santa Hóstia era exposta. Todos quantos entravam na igreja presenciavam o prodígio.

E a miraculosa transfiguração continuava operando-se sob diferentes formas. Na opinião do Cônego Capelle, de Cambrai, mais provavelmente as almas puras contemplavam um Menino doce e gracioso; os pecadores viam Jesus crucificado; e aos hereges Nosso Senhor se mostrava com fisionomia de Juiz irritado.

Além do depoimento do Bispo de Cambrai, uma incontestável tradição atesta de forma categórica a veracidade desse fato milagroso. Em 1356 - um século após a aparição - celebrava- se já em Douai a festa do Santo Sacramento do Milagre, e o documento que a ela faz menção indica ser essa celebração um costume já antigo.

A Hóstia miraculosa, que recebeu as homenagens de tantas gerações de fiéis, foi conservada na igreja canonical de Santo Amato até a época da Revolução Francesa.

Em 1790 a basílica foi fechada e, três anos depois, entregue ao saque. Os vasos sagrados foram quebrados, e as relíquias lá existentes desde quase dez séculos foram consumidas pelas chamas. Alguns energúmenos atiraram- se contra o altar, quebraram o tabernáculo e abriram a teca de prata na qual se guardava a Hóstia do milagre.

Deus, porém, não permitiu este último sacrilégio: ela estava vazia, mãos piedosas haviam posto a salvo o augusto Sacramento.

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A Eucaristia é o maior milagre

Pode o católico dar crédito a relatos de fatos maravilhosos, como esse ocorrido em Douai?imagem.JPG

São Tomás diz que a Eucaristia é, em si mesma, o maior dos milagres operados por Deus. Outros teólogos afirmam ser ela "o milagre dos milagres", pois nela se verifica uma série de prodígios: a conversão de uma substância em outra substância, a presença de Jesus Cristo em vários lugares ao mesmo tempo, em todos os pontos do globo onde esteja uma Hóstia consagrada, etc.

Entretanto, somente a luz da Fé nos leva a crer na sagrada Eucaristia. Pois, quando o celebrante pronuncia as palavras da Consagração, esse milagre não se opera de modo visível. Nossos olhos humanos continuam vendo as aparências do pão e do vinho, e não Nosso Senhor Jesus Cristo realmente presente, em corpo, sangue, alma e divindade.

Com freqüência, porém, Deus se compraz em manifestar outras maravilhas complementares, para confirmar de modo sensível o milagre máximo operado sobre o Altar.

Assim, os inúmeros fatos prodigiosos relatados por historiadores idôneos constituem uma coroa de glória para o Santíssimo Sacramento. Além disso, servem para fortificar a Fé nas almas dos fiéis e excitá-los à adoração e ao reconhecimento em relação a Jesus Cristo, o qual, segundo expressão do Concílio de Trento: "prodigalizando as riquezas de seu amor no dom da Eucaristia, compraz-se ainda em fazê-la resplandece aos olhos de todos pelas numerosas maravilhas de seu Poder".

Vários teólogos de peso atribuem a esses milagres a importância de um argumento - secundário, mas apreciável - para a demonstração do dogma sobre a sagrada Eucaristia. Entre eles,
destaca-se o grande São Roberto Belarmino.

Foto: Vitral da Catedral de Dijon, França
(Revista Arautos do Evangelho, Out/2004, n. 34, p. 32-33)

 

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Cintia
  -   20 de dezembro de 2013

Quando leio relatos sobre a hóstia santa, da vontade na gente de aparecer algum milagre eucarístico, mas penso agora que desejar isso por um lado é lindo se acontecesse algo assim, mas de outro é pecado desejar visto que o proprio jesus ressucitado disse a S Tomas, feliz aquele que acredita sem ter visto.
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