O mais precioso dom do Senhor
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O mais precioso dom do Senhor
Gaudium Press - 2014/09/25

Não podemos abdicar da tarefa de oferecer ao Chile aquilo de que ele mais necessita: o sentido profundo da vida, a vida abundante do Senhor.

Cardeal Ricardo Ezzati Andrello.jpgCardeal Ricardo Ezzati Andrello
Arcebispo de Santiago do Chile

Neste 16 de julho, viemos em grande número neste Santuário para encontrar-nos com a Mãe de Deus e escutarmos d'Ela, de seu coração de mãe, o que devemos fazer para sermos esses filhos queridos que formam uma só família à procura do bem de todos.

Maria sempre acompanha nossos passos

Na primeira Leitura, aparece Débora como a mulher que acompanha as autoridades do povo israelita para vencer as insídias dos inimigos: "Se vieres comigo, irei" (Jz 4, 8). Não podemos, neste lugar, esquecer a história de nosso país: Maria sempre acompanhou todos os seus passos. Nos momentos importantes e também na caminhada diária para formar um povo de irmãos, para buscar a paz e lutar pelo bem comum. Neste local, as paredes que aqui estão como testemunhas da história nos dizem como Maria esteve presente ao longo da história de nossa pátria, construindo conosco o bem-estar de todos, o bem comum. Ela acompanhou sempre o povo do Chile para este ser um povo de pessoas que compõem uma só mesa, a fraternidade que brota de nos reconhecermos como filhos de Deus.

Também hoje Maria caminha conosco. Também hoje Ela quer dizer-nos que, na realização de nossa história, Ela quer caminhar conosco, indicando-nos as sendas do bem, da justiça, da solidariedade e da fraternidade. Como é belo podermos descobrir que a sabedoria proveniente da Virgem Maria, mostrando-nos seu Filho, é uma sabedoria que contribui para criar fraternidade, paz e justiça; para superar divisões e criar entre todos essa profunda comunhão que faz de nós família dos filhos de Deus!

À margem de Deus, não há futuro para o Chile

Com frequência, em nossos dias, a cultura infelizmente reinante no Chile pretende que nós, homens e mulheres, construamos o futuro à margem de Deus. Muitos pretendem pensar no futuro do Chile sem ter os olhos fixos nos ensinamentos do Senhor, naquilo que a Virgem Maria vem recordar-nos. Pobre ilusão humana! [...]

Já dissemos muitas vezes: à margem de Deus, não há futuro para o Chile. Não há bom futuro para nosso país se esquecermos aquilo que seu Filho nos ensinou, o caminho por Ele indicado para alcançar vida plena, vida feliz, vida plenamente realizada.

Neste Santuário de Maipú, neste Santuário nacional, Maria do Carmo vem recordar-nos o que constrói de fato o futuro, e denunciar aquilo que, em lugar de edificar, vai destruindo a alma do Chile. O Cardeal Raúl Silva Henríquez, de feliz memória, cunhou esta bela expressão: "a alma do Chile". Nós cristãos, em particular os católicos, que sentimos que a Virgem do Carmo é nossa Mãe, não podemos abdicar dessa tarefa, não podemos deixar de oferecer ao Chile aquilo de que ele mais necessita, ou seja, o sentido profundo da vida, o sentido mais belo da vida, a vida abundante do Senhor.

O bem-estar material precisa ter um suporte

O que ganhamos tendo enormes e belas autoestradas, tendo dinheiro e progresso material se, afinal de contas, nossa vida humana não é uma vida plena, não é uma vida que reflita a mais alta vocação dos filhos de Deus?

Sem qualquer dúvida, é bem-vinda uma antropologia funcional que desdobra esforços para alcançar o bem-estar material; mas o bem-estar material precisa ter um suporte, a consistência proveniente da vocação dada por Deus à pessoa humana: é o sentido da vida humana, o sentido de ser povo, de ser uma sociedade que edificamos como irmãos.

Que sentido podem ter os mais amplos conhecimentos, se a educação não serve para a pessoa humana alcançar a alta estatura da dignidade de filhos de Deus, se olvidamos que a tarefa fundamental da educação é permitir a todo menino, a toda menina, crescer de forma solidária, justa, e alcançar a elevada estatura de filho de Deus, e poder sentir-se parte responsável da comunidade de um povo que procura o bem comum e a solidariedade?

Cardeal Ezzati cumprimenta os fiéis antes da Celebração.jpg
"O que ganhamos tendo enormes e belas autoestradas, tendo dinheiro e progresso material se,
afinal de contas, nossa vida humana não é uma vida que reflita a mais alta
vocação dos filhos de Deus?"

Que lucramos se não defendemos a vida, se não nos importa a vida de toda pessoa humana, desde a que está escondida no ventre materno até as que estão submergidas na pobreza e na miséria, sozinhas, abandonadas, anciãos dos quais ninguém cuida?

Que sociedade podemos construir, se não cuidamos da vida, se não a apreciamos como o mais precioso dom do Senhor, se não pedimos às autoridades, ao Estado, que cuide da vida, sobretudo dos mais humildes, dos mais simples, dos mais pobres?

Construir um Chile digno dos filhos de Deus

Que país podemos almejar se não pensamos na responsabilidade de transformar toda a vida de um homem, de início ao fim, numa existência digna? E isso inclui o justo salário dos operários, a digna habitação das famílias, uma remuneração que permita não só comer um pão com manteiga, mas também anelar um desenvolvimento mais pleno para cada pessoa e para cada lar.

Quantas vezes já dissemos que o salário mínimo não é apenas aquele que basta para sobreviver, mas o que possibilita a um casal viver dignamente com seus filhos, e pensar não só em como satisfazer as necessidades de cada dia, mas também num projeto de vida mais digno, que lhe franqueie a esperança de um melhor nível de existência!

Pedimos à Virgem do Carmo que acompanhe o caminhar do Chile. Como Débora acompanhou o caminhar do povo de Israel para obter a vitória e ser um povo livre e grande, a Virgem Maria acompanhe todos os nossos passos para construir um Chile mais digno, digno dos filhos de Deus, digno de pertencer à família dos filhos de Deus, cuja responsabilidade Deus mesmo deixou em nossas mãos. ² Excertos da homilia de 16/7/2014, no Santuário de Maipú. Tradução: Arautos do Evangelho. Texto integral em http://documentos.iglesia.cl (Revista Arautos do Evangelho, Setembro/2014, n. 153, p. 38-39)

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