A Confissão, um dom da misericórdia de Deus
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A Confissão, um dom da misericórdia de Deus
Redação - 2016/01/13

Em cada paróquia, os fiéis podem e devem solicitar aos sacerdotes que fixem horários para receber o Sacramento da Reconciliação, ao qual têm direito por estrita justiça.

Dom Juan José Asenjo Pelegrina.jpgDom Juan José Asenjo Pelegrina
Arcebispo de Sevilha

Se meditássemos com frequência na onipotência divina refletida na criação do mundo e em todas as intervenções de Deus ao longo da História Sagrada, ficaríamos admirados ante as maravilhas realizadas por Deus com o antigo Israel e conosco, o novo Israel, testemunha de sua Encarnação, de sua pregação e de seus milagres, de sua Paixão, Morte, Ressurreição e envio do Espírito Santo, vertido em nossos corações.

Entre todas as maravilhas operadas pelo Senhor na vida da Igreja e em nossa própria vida, não é menor a misericórdia que Ele nos prodigaliza quando pecamos e perdoa nossas faltas se as confessamos contrita e humildemente no formosíssimoConfessionario.jpgSacramento da Penitência, conscientes de que Deus nos concede um perdão pleno e até o fundo.

Quando entre nós nos perdoamos, resta sempre uma camada de ressentimento. Mas Deus nosso Senhor nos perdoa por completo, sem levar em conta o mal, se confessamos humildemente nossos pecados à Igreja, depois de um sincero exame de consciência, com arrependimento e propósito de emenda.

Causas de uma profunda crise

Não é segredo para ninguém que há anos o Sacramento da Penitência vem atravessando uma profunda crise, na qual cabe a nós, sacerdotes, uma grande responsabilidade, pois muitos de nós temos abdicado de uma obrigação fundamentalíssima: estarmos disponíveis para ouvir Confissões, dando a conhecer aos fiéis horários generosos nos quais permanecemos à sua disposição para ministrar-lhes o perdão de Deus. Em certas ocasiões, recorremos abusivamente às celebrações comunitárias da Penitência, com absolvição geral e sem expressa manifestação individual dos pecados. Elas são inválidas e constituem um evidente desprezo das normas da Igreja, recordadas reiteradamente pelos Papas nos últimos anos.

Outra causa da crise deste belíssimo Sacramento é a perda do senso do pecado, já denunciada pelo Papa Pio XII em 1943, na Encíclica Mystici Corporis. Não é difícil encontrar hoje pessoas que declaram que não se confessam porque não têm pecados. Talvez por isso o número dos que comungam é infinitamente maior que o dos que se confessam. Entretanto, não há na Palavra de Deus verdade mais clara do que ­esta: todos somos pecadores. No Corpo Místico de Cristo, a Igreja, só a Santíssima Virgem não precisa repetir cada dia o "Eu confesso". A Igreja é uma triste comunidade de pecadores, pois, como nos diz o Apóstolo Tiago, "em muitas coisas, todos erramos" (Tg 3, 2). E São João nos diz: "Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (I Jo 1, 8).


A terceira causa da depreciação do Sacramento do perdão em nossos dias é a exaltação do indivíduo, que impede de reconhecer a necessidade da mediação institucional da Igreja no perdão dos pecados. Por isso, muitos cristãos dizem que não necessitam do Sacramento e do sacerdote, pois se confessam diretamente a Deus. Esta postura, de claro matiz protestante, ignora a vontade expressa de Jesus ressuscitado, que na própria tarde da Páscoa instituiu este Sacramento como remédio precioso para a remissão dos pecados (cf. Jo 20, 23) e para o progresso no amor a Deus e aos irmãos.

Diretrizes práticas para a Confissão

Não quero terminar sem recordar aos sacerdotes e aos fiéis algumas diretrizes práticas para receber este Sacramento, de acordo com o Magistério da Igreja exposto no Catecismo da Igreja Católica.

A primeira é que continua em vigor o Segundo Mandamento da Igreja: confessar-se ao menos uma vez cada ano e em perigo de morte ou se vai comungar. É evidente que, se o Sacramento da Penitência é fonte de fidelidade, de progresso espiritual e de santidade, é sumamente recomendável a prática da Confissão frequente.

Deve-se recordar também que não pode comungar quem não está em estado de graça ou cometeu pecados graves. Convém, ademais, que os sacerdotes ponham em evidência tanto a dimensão pessoal do pecado - algo que nos envilece e degrada, que é uma ofensa a Deus e um desprezo de seu amor de Pai - quanto a dimensão eclesial do pecado, que reduz o caudal de caridade existente no Corpo Místico de Cristo.

Quero recordar também que os ­fiéis podem e devem solicitar a seus sacerdotes que dediquem tempo ao confessionário e fixem em cada paróquia os horários de atendimento sacramental, para os fiéis poderem receber o Sacramento da Reconciliação, ao qual têm direito por estrita justiça.

Nas vésperas da inauguração do Jubileu da Misericórdia, termino afirmando que, depois do Batismo e da Eucaristia, o mais formoso dos Sacramentos é o da Penitência, pois ele é fonte de progresso e crescimento espiritual, Sacramento da misericórdia, da paz, da alegria e do reencontro com Deus. (Carta pastoral de 15/11/2015 - Texto original em www.archisevilla.org - Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2016, n. 169, pp. 38-39)

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