Inocência e contrição
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Inocência e contrição
Ir. Beatriz Alves dos Santos, EP - 2016/02/26
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As flores do manacá recordam as almas que, tendo perdido a alvura da inocência batismal, tingiram-se com as cores roxa, lilás e violácea da contrição.

Ir. Beatriz Alves dos Santos, EP

Ao percorrer as páginas do Evangelho, contemplamos diferentes matizes da infinita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo no contato com as pessoas que d'Ele se aproximavam: a uns perdoando, a outros curando, sempre estimulando para o bem e convidando ad maiora, a todos querendo salvar.

Dentre as muitas passagens que poderíamos recordar, uma das mais marcantes é, sem dúvida, o encontro do Divino Mestre com aquele que seria o futuro Chefe da Santa Igreja: "Fixando nele o olhar" - Jesus não lhe pergunta o nome, pois já o conhecia desde toda a eternidade! - "disse: ‘Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)'" (Jo 1, 42).

O primeiro olhar do Salvador para Simão Pedro decerto possuía tanta unção e infundia tal força, que de si teria sido suficiente para sustentar o Apóstolo pela vida inteira. Entretanto, na hora da Paixão, talvez ofuscado por uma visão naturalista das coisas, ele se esqueceu desta graça e, antes que o galo cantasse, negou Jesus por três vezes...

Foi então que, "voltando-Se o Senhor, olhou para Pedro" (Lc 22, 61). Ao receber naquele momento de dor tal olhar, cuja beleza era infinitamente superior aos vitrais, ao reflexo do Sol nas águas do mar ou a qualquer outra maravilha natural, Simão caiu em si e "flevit amare - chorou amargamente" (Lc 22, 62). Eis a contrição de São Pedro, um dos mais edificantes fatos da hagiografia!

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Permitindo esta falta, quis a Divina Providência acrescentar à glória do primeiro Papa a nobreza do arrependimento, pelo qual a alma, reconhecendo seu erro e sua fraqueza, implora a Deus o perdão e as forças para não mais pecar. Até o fim dos séculos, Pedro será modelo para todos os que, tendo caído, não deixaram sua alva túnica batismal manchada pelas nódoas do pecado, mas souberam tingi-la no lilás da penitência.

Estas cores tão características da Quaresma, nós as vemos esplendidamente representadas no manacá, vegetação muito familiar a boa parte dos brasileiros, sobretudo aos que vivem ou passam pelas proximidades da Mata Atlântica. Contrastando com o verde das folhas, as flores desta planta desabrocham brancas e tornam-se roxas, depois de passar por vários tons de Manacas.jpglilás, produzindo um espetáculo que deixa encantados quantos têm a oportunidade de observá-lo.

Carregada de botões alvos e violáceos, ela pouco exige do solo e responde com generoso viço quando se lhe dá algum cuidado especial. ­Assim, também sob este aspecto, recorda as almas penitentes que, sentindo-se imerecedoras da benevolência divina, retribuem com maior amor e renovados propósitos de virtude os benefícios d'Ele recebidos.

Saibamos ver na pulcritude do manacá este elevado simbolismo e compreenderemos melhor quão agradáveis a Deus são os corações que odiaram o pecado cometido e, abandonando o mau caminho, encetaram a via da retidão.

"O mal é, de si, odioso" - ensina o padre Monsabré - "mas a industriosa Providência sabe tirar dele proveito em favor do bem. Do espetáculo da iniquidade triunfante, Ela faz nascer o desejo de uma perfeição sublime que compensa, aos olhos de Deus, as humilhações de nossa natureza degradada".1

Quando a consciência nos acusar de alguma falta, procuremos com confiança o olhar d'Aquele que "aduba" as almas arrependidas e as fortalece na prática da humildade, levando-as a florescer magnificamente pelo vigor da contrição. (Revista Arautos do Evangelho, Fevereiro/2016, n. 170, pp. 50-51).

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Claudio Silva
  -   29 de fevereiro de 2016

Simplesmente magnífico e muito alentador!
  Dom de Sabedoria