Discreto e eficaz amparo
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Discreto e eficaz amparo
Ir. Letícia Gonçalves de Sousa, EP - 2016/03/22

Sentindo-se ferido, Gabriel julgou ter chegado ao fim. Sua vida passou-lhe num instante ante os olhos. O que mais o afligia era ter mostrado tanto desprezo por São José...

Ir. Letícia Gonçalves de Sousa, EP 

A Primeira Guerra Mundial surpreendeu o orbe por sua violência, em virtude das máquinas que o avanço tecnológico da época conseguira desenvolver. Entre elas destacavam-se os aviões, semeadores de morte, cujos terríveis ataques inundavam de soldados gravemente feridos a emergência do hospital de campanha.

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Passamos a manhã muito animados fazendo andar o
trenzinho para cá e para lá

Depois de um dos bombardeios, ali chegara de forma misteriosa um moço. Ninguém sabia quem o trouxera e ele não parava de balbuciar:

- Deus lhe pague! Deus lhe pague! E, por favor, perdoe a minha ingratidão...

Confuso, o médico de plantão, Dr. Teobaldo, indagou-lhe:

- Rapaz, como chegaste aqui? Tu és o único do décimo batalhão que sobreviveu ao ataque aéreo! Nenhum dos teus companheiros conseguiu fugir da chuva de bombas inimigas.

Fez-se um momento de silêncio. O jovem ­militar começou a chorar e, soluçando, narrou sua história...

* * *

Ainda na infância, certo dia visitei um amigo, de uma família muito abastada. Tive grande contentamento por ver que ele ganhara um maravilhoso trenzinho de brinquedo. Passamos a manhã inteira muito animados, fazendo-o andar para cá e para lá. Brincamos, brincamos, brincamos!

Dona Josefina, a mãe deste amigo, nos contemplava comprazida. Mais tarde, vendo que minha alegria era contagiosa, decidiu dar-me um presente:

- Gabrielzinho, quando você brinca com meu filho, ele fica tão contente que nem sei como lhe agradecer. O que deseja que eu lhe dê como lembrança?

Gritei logo:

- Eu quero um trenzinho assim!

Aquela senhora tinha muito respeito por minha mãe e explicou-me:

- Decerto o terá. Ontem mesmo estive na loja de brinquedos e há mais um disponível. Contudo, é necessário que antes você peça autorização para sua mãe. Não quero dar-lhe nada sem que ela o aprove.

Nem posso descrever a euforia com que voltei para casa. Entre pulos, gritos e exclamações, a abracei, dizendo:

- Mãezinha, vou ganhar um extraordinário trenzinho!...

Ela, muito assustada, perguntou-me o motivo do inusitado entusiasmo. Então contei-lhe todo o assunto, em frases desconexas, e impacientemente pedi que falasse o quanto antes com dona Josefina. Ela, porém, mantinha-se em silêncio e, diante de minha insistência, aconselhou-me:

- Meu filho, creio que a melhor escolha seria uma imagem de São José, a fim de tomá-lo como teu padroeiro e protetor. Dona Josefina possui algumas lindíssimas em sua casa e tenho certeza de que, se pedires, ela vai escolher para dar-te uma das mais belas e valiosas.

Decepcionado, retruquei:

- Mas, mamãe, eu quero um trenzinho igual ao do meu amigo!

Em vão ela tentou mudar meus conceitos... Indignado, fui outra vez à casa de meu companheiro:

- Dona Josefina, minha mãe gostaria de ter uma imagem de São José. Entretanto... eu, não!!! Prefiro um trenzinho!!...

Sem mais palavras, tornei a divertir-me com o brinquedo e passei a tarde inteira entretido com ele, junto a meu amigo. Na hora de ir embora, dona Josefina entregou-me um enorme embrulho e recomendou-me:

- Leva São José com cuidado e manda meus cumprimentos à tua piedosa mãe.

Amargurado, despedi-me dela e do filho, e fui embora. Chegando a casa, mamãe aguardava-me, como de costume. Atirei o pacote em ­suas mãos, sem cerimônia, e lhe disse:

- Aí tens o teu José!

- Filhinho, vamos abrir a caixa e rezar juntos ao pai adotivo do Menino Deus.

- Se queres, reza tu! - respondi-lhe, ressentido.

Para mim tornou-se difícil até mesmo fitar a imagem. Não podia fazer as pazes com São José, pois por causa dele havia ficado sem o tão desejado trenzinho. Esta situação perdurou para além da adolescência.

Cresci com esta aversão e, ao atingir a idade, fui chamado a servir ao exército. Cheio de grandes ideais, iniciava a carreira militar. Com o estouro da guerra, todavia, tudo ficou mais árduo. Inúmeros soldados foram enviados para o front, e entre eles estava eu.

Despedi-me de meus pais, que choravam copiosamente. Minha mãe, já idosa, levou-me diante de São José, prometendo que rezaria por mim ali todos os dias e manteria sempre um lírio fresco junto à imagem, como sinal de sua confiança e devoção ao insigne protetor.

Parti com ufania. No entanto, as coisas eram bem diferentes do que eu imaginava... A cada batalha sentia-me prestes a deixar este mundo. Meus companheiros caíam, um após o outro, feridos de morte. E, hoje, em meio ao bombardeio, ouvi um estrepitoso estouro:

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"Estando ainda meio inconsciente, senti um
agradável perfume de lírio e escutei uma voz"

- Brruumm!!!

Uma dor intensa me apertou o peito e julguei ter chegado ao fim. Toda a minha vida passou num instante ante meus olhos. E o que mais me afligia era ter mostrado tanto desprezo por São José, ao longo dos anos...

Arrependido, pedi-lhe perdão e desmaiei. Pouco tempo depois comecei a acordar e, estando ainda meio inconsciente, senti um agradável perfume de lírio e escutei uma voz firme que me dizia:

- Gabriel, depressa, saiamos daqui!

Abri os olhos e vi um varão forte que, com gesto cordial, me estendia a mão. Tomei-a sem opor resistência e juntos chegamos, nem sei como, até a porta do hospital. Já um pouco mais acordado, perguntei-lhe:

- Como sabes o meu nome? Por que te arriscaste por mim desta forma? Como te chamas?

- Chamo-me José e sou o teu padroeiro! - respondeu-me - Desde pequeno te conheço e, embora tu não me queiras bem, é-me impossível deixar de atender os rogos perseverantes de tua mãe. Dito isto, desapareceu. 

Dando um suspiro profundo, continuou o soldado ferido:

- Os enfermeiros, então, me encontraram e aqui estou. Dr. Teobaldo, vejo nisto um sinal dos Céus. Há muito sentia um forte desejo de tornar-me sacerdote, mas lutava contra esta ideia. A vida militar parecia-me mais agradável e prestigiosa. Agora, desejo com toda minha alma abraçar a via sacerdotal.

Gabriel recuperou-se logo de seus ferimentos. Terminada a guerra, foi ordenado e converteu-se num fervoroso propagador da devoção a São José. Sempre o mencionava em seus sermões e não perdia ocasião de lembrar quão discreta e eficazmente o Santo Patriarca ampara a todos os que a ele recorrem, como protegia, na Terra, a Sagrada Família de Nazaré. (Revista Arautos do Evangelho, Março/2016, n. 171, p. 46-47)

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