Onde achar a perfeita alegria?
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Onde achar a perfeita alegria?
Ir. Mariana Iecker Xavier Quimas de Oliveira, EP - 2016/06/06

Quem pode afirmar ter encontrado para si, nesta vida, a perfeita alegria e felicidade? Este é um anelo incessante da alma humana, que muitas vezes a busca onde ela não se encontra...

Ir. Mariana Iecker Xavier Quimas de Oliveira, EP

"Qual o homem que não ama sua vida procurando ser feliz todos os dias?" (Sl 33, 13), interroga o salmista.

E, no entanto, quem pode afirmar ter encontrado para si a perfeita alegria nesta Terra? Acaso terá alguém vivido uma existência tão feliz a ponto de poder afirmar no fim dos seus dias: jamais sofri qualquer desgraça?

Insaciável ânsia de prazeres

O anelo de ser feliz está presente nos homens de todos os tempos, mas quiçá tenha ele atingido um auge na chamada Belle Époque, período áureo da indústria e do progresso, que tanto conforto e bem-estar material trouxe para o Ocidente.

A preguiça por José Alcázar Tejedor - Museu de Cáceres, Cáceres (España).jpg
Tinha-se a noção de que o homem nasceu para ser feliz dentro de um panorama
 terreno, como se o normal fosse a alegria contínua

A preguiça, por José Alcázar Tejedor Museu de Cáceres, Cáceres (España)

Nascido no início do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira costumava descrever como, em seu tempo de menino, as crianças sentiam a necessidade de ter mais um brinquedo, de desfrutar de mais uma diversão, pois sempre lhes parecia faltar algo para ficarem contentes. Chegando à juventude começavam a procurar na família, no colégio ou nos círculos que costumavam frequentar, pessoas que aparentavam ser donas de uma perene felicidade, para tomá-las como modelo.

Tinha-se nesses ambientes a noção de que o homem nasceu para ser feliz dentro de um panorama terreno, como se o normal fosse "a alegria contínua, nunca interrompida por nada de desagradável. Apenas o bem-estar, as boas perspectivas, as ideias animadoras, aquilo que faça as pessoas conversarem de modo jovial, agradável e, sobretudo, as faça rir".

Lançavam-se assim, conclui Dr. Plinio, à procura de um gênero de contentamento "exclusivamente egoístico, baseado na procura e na fruição dos prazeres pessoais e mundanos. Trata-se de ir atrás de todas as satisfações, lícitas e ilícitas, fugindo da morte quanto for possível, das prolongadas doenças, das deficiências físicas, das contrariedades morais e psicológicas, dos infortúnios e dos sofrimentos".

A alegria mal concebida

Como é fácil compreender, tais perspectivas acabavam frustradas, pois é inevitável que todo homem passe por sofrimentos. Somos acometidos por doenças, precisamos trabalhar com afinco para satisfazer nossas necessidades e desejos, deparamo-nos com dificuldades de todo gênero e até mesmo tragédias. E quem procura a felicidade onde ela não pode ser encontrada, além de não a alcançar, vive numa constante insatisfação que acaba resultando em tristeza e desânimo.

"A alegria, a felicidade só vêm quando eu ponho os meus sentidos sobrenaturais por cima e dominando os meus sentidos carnais; eu vivo muito mais para o que há de sobrenatural do que para o que há de carnal", explica Mons. João Scognamiglio Clá Dias.

Condições para alcançar a felicidade perfeita

Ensina a doutrina católica que para um objeto ser causa de felicidade perfeita para o homem, deve ele reunir em si quatro condições essenciais: "que seja o bem supremo apetecível, de modo que não se ordene a nenhum outro mais alto; que exclua em absoluto todo mal de qualquer natureza; que sacie por completo todas as aspirações do coração humano; que seja inamissível, quer dizer, que uma vez obtido não possa ser perdido".

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"A felicidade só vêm quando eu ponho os meus
sentidos sobrenaturais por cima e
dominando os meus sentidos
carnais"

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
em 13/12/2015

Ora, tais requisitos não são atendidos por nenhum dos seres criados, sejam eles dinheiro, fama, glória ou beleza. As riquezas, por exemplo, não evitam as enfermidades e a morte, e podem ser perdidas por qualquer contratempo. De forma análoga, as honras, a fama, a ciência e o poder são instáveis. A saúde, a beleza e a força são bens passageiros e meramente corpóreos, que terminam, na melhor das hipóteses, com o fim desta vida.

Em certo sentido, nem sequer a prática da virtude pode nos trazer um gozo perfeito, posto que, enquanto estamos vivos, o ímpeto de nossas paixões e as tentações do maligno podem fazer-nos perder o estado de graça.

Onde está a verdadeira felicidade?

Por isso, ensina o Catecismo da Igreja Católica: "a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo o bem e de todo amor".

De fato, o único que pode nos tornar verdadeiramente alegres é Deus. Sábio é, portanto, o conselho da Imitação de Cristo: "Tem por vã toda consolação que venha da criatura. A alma, que deveras ama a Deus, despreza tudo o que está abaixo de Deus. Só Deus, eterno e imenso, e que tudo domina, é a verdadeira alegria do coração"; bem como as palavras de Mons. João: "O único ser que apaga este fogo, este anseio de felicidade, que é a Felicidade Infinita - eu quero esta felicidade infinita porque eu fui criado para Ela -, o único ser [que a sacia] é Deus, é Nosso Senhor Jesus Cristo, é a Religião, é ter a graça de Deus".

Não obstante, se Deus é infinito, como poderia o homem obtê-Lo? É São João quem nos ajuda a encontrar a resposta: "Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele" (I Jo 4, 16). Por conseguinte, é a caridade que nos dá a possibilidade de O possuir; é ela que dilata o nosso coração para que, já neste mundo, possamos abarcar um pouco mais do que nossa capacidade humana conseguiria: a infinitude do Criador.

A caridade "aperfeiçoa no homem a alegria perfeita. Ninguém pode ter verdadeira alegria, a não ser existindo na caridade. Quem quer que deseje qualquer coisa, só se alegra e satisfaz quando a consegue. Mas acontece nas coisas temporais que, quando são obtidas, acabam por ser desprezadas e geram tédio. Mas isso não se passa nas coisas espirituais. Quem ama a Deus, tem-No a Ele mesmo e, por isso, o amor da alma e os seus desejos descansam n'Ele", diz São Tomás.

Não há, portanto, mais autêntica alegria do que a do coração de um santo, receptáculo da graça, no qual brilham a caridade e as demais virtudes.

"Um santo triste é um triste santo"

Contudo, o Apóstolo fala de si mesmo com estas misteriosas palavras: "quasi tristes, semper autem gaudentes - somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes" (II Cor 6, 10).

A alegria do santo é, sem dúvida, pervadida de uma certa tristeza, a qual não provém das dificuldades da vida, uma vez que estas são insignificantes se comparadas com as grandezas celestes que ele espera. Há na alma dos santos uma boa tristeza que se harmoniza com sua alegria e não a macula. É aquela saudade de Deus, que Santa Teresinha cantou tão bem em uma de suas poesias: "para além das nuvens o Céu é sempre azul e encontram-se as paragens onde reina o Bom Deus. Espero em paz a glória da celeste morada".

Nossa Senhora das Alegrias - Convento da Penha - Vitória.jpg
"Mesmo no meio dos padecimentos
mais acervos, a alma de Maria
não cessou jamais de gozar
de uma alegria indizível"


Nossa Senhora das Alegrias
Convento da Penha, Vitória 
"Um santo triste, é um triste santo", reza a sabedoria popular. A felicidade dos santos está em compreender que "há um horizonte sempre azul do universo, que nunca muda, que constitui nossa alegria e é a pré-figura do Céu", e que são as lutas e batalhas desta existência terrena que para lá os conduzirão. "Vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo" (I Tes 1, 6), afirma o Apóstolo.

"Causa nostræ lætitiæ"

Ademais, têm os santos o dom inestimável e inigualável de ter como auxílio Aquela que é invocada pela Santa Igreja como Causa nostræ lætitiæ - Causa da nossa alegria.

Ela é exemplo para todos nós, pois "nem suas dores, por grandes que fossem, eram capazes de tirar-Lhe esse gáudio, pelo qual, mesmo no meio dos padecimentos mais acerbos, a alma de Maria não cessou jamais de gozar de uma alegria indizível. Quando a aflição de seu coração era grande como o mar, seu gáudio não cessou de ser imenso como o céu".

"Que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo se vier a perder a sua alma?" (Mt 16, 26). Se as dificuldades nos fazem sofrer, elevemos o nosso espírito ao alto e agradeçamos a Deus por nos ter criado para sermos consortes das maravilhas da eternidade e por estar continuamente, pela proteção de Maria, nos convidando à santidade, a fim de gozarmos, na outra vida, das alegrias da visão de sua face. (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2016, n. 173, pp. 34 a 36)

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