Frei Ave Maria
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Frei Ave Maria
Diana Compasso de Araújo - 2016/06/10

Uma doença não muito grave ceifou sua vida e ele foi sepultado no cemitério do convento. No dia seguinte, antes do amanhecer, quando alguns frades se encontravam rezando junto a seu túmulo...

Diana Compasso de Araújo

Os raios de Sol pousavam com prodigalidade sobre o povoado, fazendo com que suas rústicas casinhas parecessem feitas de ouro. As águas do rio corriam ligeiras, ao embalo do cântico dos passarinhos. As árvores e os jardins repletos das mais variadas flores pintavam e perfumavam a beleza do panorama.

De repente, esta sinfonia da natureza foi entrecortada pelo vagido de uma criança: nascia um novo membro na piedosa e img1.jpgbenquista família de agricultores que morava no extremo daquele vilarejo.

Um verdadeiro milagre ocorria: em vinte e cinco anos de matrimônio, este era o primeiro filho que a Providência concedia ao casal. Os vizinhos mais próximos reuniam-se na minúscula casinha, felizes pelo acontecimento. Não tardou para que começassem as opiniões sobre o futuro do menino...

- Creio que vai ser um grande homem, talvez o melhor agricultor da região! - falou a dona do ateliê de costura, que vivia ao lado.
- Realmente, algo neste pequenino me diz que ele realizará coisas importantes... - sentenciou o padeiro, cuja loja ficava em frente.

O pai, interrompendo o burburinho, disse de um modo solene:

- Não sei qual será o porvir da criança, mas o presente já é uma dádiva de Deus! Nossa Senhora atendeu às nossas orações e, por isso, "Ave Maria" serão as primeiras palavras que aprenderá e seu nome será Gabriel em honra do Anjo que as pronunciou na Anunciação.

Depois de alguns meses, porém, uma peste atingiu a região e daquela família só restaram a mãe e o filho, que, com muito custo, conseguiam se manter.

Passou o tempo e o menino se desenvolvia saudável, apesar das dificuldades. A mãe, zelosa, cuidava dele com carinho e se esmerava em ensiná-lo a falar. Recordando-se do desejo de seu falecido esposo, fez questão de que, antes de qualquer outra palavra, ele pronunciasse a sublime saudação: "Ave Maria". Entretanto, apesar de todos os esforços maternais, esta era a única frase que saía de sua boca...

A cruz parecia ser companheira inseparável do pequeno Gabriel: quando completou dez anos, sua mãe adoeceu gravemente e em poucos dias faleceu deixando-o órfão. Sobrevivendo com a ajuda dos moradores do ­lugar, pelos quais era muito estimado, o jovenzinho, apesar de muito prestativo e piedoso, continuava sem poder dizer nada mais que "Ave Maria", e muito menos conseguia ler ou escrever.

- Bom dia! - cumprimentavam-no.

- Ave Maria! - respondia Gabriel.

- Como vai, rapaz? - perguntavam-lhe.

- Ave Maria! - contestava sempre.

Alguns acreditavam ser ele doente, o que não impedia o "menino Ave Maria" - como ficou conhecido - de viver feliz...

Quando estava mais crescido, por uma inspiração da Santíssima Virgem, foi bater à porta de um mosteiro que havia nas redondezas.

- Como te chamas? - perguntou o irmão porteiro.

- Ave Maria! - retorquiu com alegria.

- De onde tu és?

- Ave Maria! - era só o que conseguia dizer.

Desconcertado com tão estranho interlocutor, o religioso foi procurar o abade, pois não sabia como proceder. Este, então, fez entrar o jovem e pôs-se a interrogá-lo. Invariavelmente, a única resposta que se ouvia era "Ave Maria". O sábio superior discerniu nisto um desígnio da Providência, e permitiu que o inusitado personagem morasse no convento.

Já no início não era difícil perceber a liberalidade com que o recém-chegado servia os religiosos e a humildade com que realizava cada ato. Assim, cheios de zelo, todos na comunidade tentavam ajudá-lo, esforçando-se para ensinar-lhe alguma palavra.

Contudo, nada surtia efeito. Correram os anos e ele tornou-se homem, sem, no entanto, dizer mais do que aquela bela invocação.
Certo dia, frei Lourenço quis fazê-lo progredir linguisticamente tentando avançar no caminho que havia principiado:img2.jpg

- Vejamos: se podes pronunciar Ave Maria, então dize agora "Cheia de graça"!

Para sua surpresa, Gabriel repetiu:

- Cheia de graça!

Frei Lourenço, contentíssimo, correu para contar ao mestre de noviços a proeza pedagógica e o progresso do serviçal "Ave Maria". O frade mandou chamá-lo para conferir o acontecimento, e pediu que lhe dissesse o que aprendera. Todavia, ele só conseguiu pronunciar "Ave Maria"... pois do resto se havia esquecido!

- Não houve melhora! - concluíram os religiosos.

A esta altura vestia ele o hábito de irmão leigo e era conhecido, em toda a região, como o frei Ave Maria. A capela era seu lugar preferido. Quando não estava na lide diária, passava horas diante do sacrário ou de joelhos aos pés da bela imagem de Maria Auxiliadora, recolhido e com um sorriso nos lábios.

Frei Ave Maria passou a vida inteira no mosteiro e realizou com total desprendimento e generosidade as tarefas mais simples: varria o chão, descascava as batatas ou lavava os pratos na cozinha, com inteira diligência. E, ao contrário do que vaticinaram em seu nascimento, parecia ser o homem menos importante do mundo...

Já idoso, uma doença não muito grave ceifou a vida do frei Ave Maria e ele foi sepultado no cemitério do convento. Aquela misteriosa alma deixou um tal vazio na comunidade que, no dia seguinte, antes do amanhecer, alguns frades se encontravam rezando junto a seu túmulo.

E qual não foi a sua surpresa quando, na hora do Angelus, brotou da campa um ramo verde, em cuja ponta floresceu um alvíssimo lírio. Em suas pétalas se podia ler a saudação angélica, escrita em letras douradas: "Ave Maria"!

O abade, comovido, declarou diante dos religiosos ali reunidos:

- Quão insondáveis e maravilhosos são os desígnios de Deus! Este homem, a quem todos consideravam incapaz e desprovido de dons, era objeto de um amor especialíssimo de Nossa Senhora. De fato, quando deixamos que nossas míseras ações sejam colhidas e apresentadas ao Senhor pelas imaculadas mãos de Maria, Ela as reveste com um manto de ouro e as faz resplandecer aos olhos do Altíssimo... Aprendamos com o frei Ave Maria, que fez de sua vida um verdadeiro hino de louvor à Santíssima Virgem! (Revista Arautos do Evangelho, Maio/2016, n. 173, p. 44-45)

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