A voz de Cristo para o século XX
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  Livro Dr Plinio de Mons João Clá

A voz de Cristo para o século XX
Redação - 2016/09/26

No início da juventude, a vida de Dr. Plinio transcorria promissora e fulgurante. No entanto, a Divina Providência reservava-lhe uma via de dolorosas decepções, estrondosos fracassos e insuspeitadas traições...

Como dar uma ideia a respeito da vida pública de Dr. Plinio que se iniciava de maneira tão promissora? Nada melhor do que recorrer aos ensinamentos do Evangelho.

"Brilhe vossa luz diante dos homens!" (Mt 5, 16), havia proclamado o Divino Mestre. Sim, a graça refulgia em Dr. Plinio de modo místico e absolutamente incomum, num conjunto de luzes variadas e constantes. Elas se refletiam inclusive em seus escritos, mas, sobretudo, tornavam seus gestos atraentes, suas palavras arrebatadoras, seu porte imponente e sua presença cativante. As multidões seguiram-no entusiasmadas, seus discursos produziram aplausos fogosos, sua figura, em síntese, projetou-se como a de um profeta grandioso, feito para conduzir a sociedade à própria perfeição, destruindo os erros revolucionários. Em consequência, o Autor não duvida em proclamar que Dr. Plinio foi a voz de Cristo para o século XX.

Como deputado na Assembleia Constituinte e, terminado seu mandato, enquanto líder do Movimento Católico em São Paulo, lutou pela Igreja com todas as forças de sua alma, espargindo sua luz pelo Brasil. E a receptividade maior ou menor das pessoas dependia do grau de recusa que tivessem às solicitações do espírito do mundo. Por isso muitos rejeitavam essa luz e a ela se fechavam, enquanto outros a aclamavam com ardor.

À frente do "Legionário"

Com o intuito de desenvolver um apostolado eficaz, ele transformou um simples jornal paroquial, o Legionário, num influente semanário de repercussão internacional, a partir do qual revelou ao mundo o singular carisma profético com que foi dotado pela Providência. Com coragem denunciou o perigo nazifascista que se levantava no Brasil, a fim de que os católicos não se deixassem iludir por falsas soluções, e delatou, já como primeiro presidente da Ação Católica de São Paulo, os incipientes erros que ameaçavam mudar a face imaculada da Santa Igreja, para os quais ninguém ainda abrira os olhos totalmente.

Lembremos que a essência da missão profética, ao contrário do que de ordinário se acredita, não consiste apenas em fazer vaticínios, mas, sobretudo, em indicar aos homens os rumos da Providência e em contemplar a visão que Deus tem dos fatos.1 Como veremos adiante, esta é a característica proeminente do profetismo de Dr. Plinio, embora ele também fizesse previsões... e quanto!

Com palavras de um verdadeiro profeta que antevia os passos seguintes da Revolução, Dr. Plinio desvendava ao grande público aquilo que seu discernimento lhe tornava claro, e não duvidava em lançar prognósticos que se cumpriram muitas vezes ao pé da letra, rasgando a etiqueta de irrealizáveis que qualquer analista lhes teria colocado a priori. E, assim, o peso de sua opinião ia crescendo aos olhos de bons e maus.

Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica

Fruto de seu prestígio enquanto líder católico íntegro, Dr. Plinio foi nomeado em 12 de maio de 1940 presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo.

Ao cumprir esse encargo, procurou ele deitar toda a sua energia na formação de uma elite católica capaz de influenciar a sociedade e mudar os rumos da História do Brasil. Assim como a Revolução tem seus próprios tipos humanos que lhe servem de modelo, apesar de esconder que isso é feito de forma intencional, Dr. Plinio queria constituir algo análogo para a Contra-Revolução. Ademais, para alcançar tal fim era necessário manter-se fiel à ortodoxia em matéria de fé e de costumes, posta em risco pela inoculação nos meios eclesiais de "novas" ideias importadas dos movimentos progressistas da Europa impregnados, de maneira dissimulada, dos piores desvios doutrinários.

Ora, por que isso não foi possível? Ao contrário do que se esperava, esses planos foram, aos poucos, postos de lado. Com enorme dor, ele constatava que, quanto mais os frutos abundantes da Ação Católica se faziam notar sob seu comando, mais se esfriava a receptividade de uma parte do clero e das lideranças laicais em relação à sua pessoa. Simultaneamente, aqueles que o precederam na direção da Ação Católica, cada vez mais confirmados em sua adesão à heterodoxia, eram apoiados de modo crescente.

Dr. Plinio sabia muito bem que seus adversários tentariam desarticular todo o seu apostolado. Mas, levado por seu amor e fidelidade à Igreja e ofuscado pela sua veneração pelo sacerdócio, isso parecia-lhe impossível. Ele não ousava ver de frente a hipótese de tal iniciativa partir de membros do Episcopado. "Esse foi um momento terrível para mim. Dúvida, isso nunca me causou, graças a Deus, mas uma dilaceração. Esta começou a se apaziguar quando eu percebi que não era algo nascido da Igreja, e sim uma penetração do espírito do mal nela. Afinal, a Igreja amada por mim sempre permanecera igual a si mesma em todos os séculos".2 O Autor está certo de tratar-se de um dos instantes de maior sublimidade na vida de Dr. Plinio, pelo sofrimento suportado por ele.

Um livro "kamikaze"


Movido pela clarividência de seu profetismo e por sua fidelidade a toda prova à Santa Igreja, Dr. Plinio resolveu desmascarar essa heresia suspicaz e velada, ainda que pusesse em risco seu futuro pessoal.

De fato, teólogos de renome mundial já haviam apontado os desvios que assomavam nas correntes novas, mas os refutavam no campo da alta especulação teológica, em geral inacessível ao povo fiel. Ninguém até então tivera o discernimento do mal em sua totalidade e menos ainda a coragem de delatá-lo. Nasceu assim no espírito de Dr. Plinio a ideia de escrever uma obra consagrada à cabal exposição e denúncia dos erros enquistados na Ação Católica que se alastravam por toda a Igreja: "Era preciso que um brado de alarme se erguesse, e que se operasse o esforço convergente de quantos discerniam o mal, para o revelar de uma vez. Grito de alarme, toque de reunir: o livro Em defesa da Ação Católica".

Devido à situação criada, Dr. Plinio percebia que a publicação do livro acarretaria um estalo fenomenal não só na Igreja de São Paulo, mas de todo o Brasil. Precisava, por isso, angariar todos os apoios possíveis a fim aumentar o impacto da explosão no campo inimigo. Para tal enviou o livro recém-impresso a vários Bispos amigos, de tendência conservadora, que lhe responderam com cartas de encômio. A essa correspondência somou-se, por vias providenciais, o apoio do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Benedetto Aloisi Masella, que lhe concedeu um prefácio. Ainda de forma quase simultânea à publicação do Em defesa da Ação Católica, o Santo Padre Pio XII lançou a Encíclica Mystici Corporis Christi, que denunciava muitos dos erros apontados por Dr. Plinio em sua obra. Aos olhos da opinião pública seria uma imprevista aprovação das ideias que, injustamente, lhe valeriam entre alguns o epíteto de herege.

O lançamento do livro foi polêmico, e a retaliação dos opositores, imediata e brutal... de uma ferocidade própria aos covardes. Ao longo dos anos sucessivos, Dr. Plinio seria banido de todos os cargos públicos do Movimento Católico, perderia a direção do Legionário e os contratos advocatícios com diversas instituições eclesiásticas, com as consequências pessoais que isso lhe acarretaria, inclusive em matéria financeira. Mas o mal desvendado perdera seu dinamismo e os propósitos dos mentores das "novas" ideias nunca se realizariam plenamente no Brasil, nem no mundo. O kamikaze, ao colidir no ponto certo, havia abatido a nave adversária.

Na catacumba, período de ostracismo

A partir do fim da década de 1940 inicia-se um período denominado por Dr. Plinio de ostracismo. Seu amor pela Esposa de Cristo o havia levado a ser considerado um pária nas fileiras católicas.

Esses anos de isolamento e perseguição implacável, ele os transpôs acompanhado de um grupo de oito seguidores, antigos redatores do Legionário. Com eles daria início à constituição de sua obra, não isenta, porém, de enormes dificuldades e trágicos episódios. A sonhada ordem profética de cavalaria só seria fundada quando ele tivesse derramado todo o sangue de alma que a Providência lhe pedisse, após décadas de desilusões, fracassos, ingratidões e traições por parte daqueles que, em vez de tomar sua luz e difundi-la pelo mundo, muitas vezes a calcaram aos pés.

A esse respeito, o Autor lembra-se de Dr. Plinio ter dado, no ano de 1974, uma orientação de como um futuro biógrafo deveria apresentar sua vida. Ele explicava que a tendência do escritor seria a de deter-se na descrição de determinados padecimentos seus, como, por exemplo, a crise de diabetes que sofreu no ano de 1967, e a este propósito diria que ele foi obrigado a submeter-se durante longos anos a um regime estrito, acarretando-lhe um suplício tremendo, pois era um homem de paladar muito nobre, equilibrado e fino.

Apenas exposta a hipótese, Dr. Plinio, muito enfático, esclareceu o seguinte:

- Isso, porém, não é a minha vida, porque não é descrição da essência do meu sofrimento. Um bom biógrafo meu deveria relatar os tormentos suportados dentro da minha obra. Tudo o que eu desejei realizar com os membros do Grupo e não consegui, pois aí estão minhas principais amarguras. Eu já digo isso porque, no futuro, aparecendo alguém desejoso de escrever minha biografia, deve focalizar esse aspecto.

O Autor procura em sua obra dar ao leitor uma ideia pormenorizada do drama suportado por Dr. Plinio no interior de suas fileiras, sem todavia revelar os nomes dos discípulos infiéis. Diante do mais terrível abandono e frieza por parte de seus seguidores, sua fé na própria missão foi heroica e inédita na história das fundações. Ninguém como ele esperou tanto contra toda esperança. Mas a luz de seu profetismo haveria de rasgar as trevas e despontariam os primeiros raios de uma aurora de institucionalização em seu Grupo.

"Revolução e Contra-Revolução"

A fim de formar seus discípulos e constituir um arcabouço doutrinário que desse solidez ­ideológica ao Grupo, no fim da década de 1950, Dr. Plinio instituiu várias comissões de estudos em sua obra. Muitas dessas reuniões, gravadas e posteriormente transcritas, compõem hoje um cabedal de mais de um milhão de páginas de explicitações marcadas pelo seu dom de sabedoria, seu profetismo e seu discernimento dos espíritos.

Nessa mesma época, ele redigiu o que seria o livro de cabeceira de seu Grupo: Revolução e Contra-Revolução. Baseado em documentos pontifícios, este ensaio explica o nexo entre todos os males do mundo contemporâneo, nascidos com o Humanismo e requintados sucessivamente com o protestantismo, a Revolução Francesa e o comunismo. Para Dr. Plinio desde uma doutrina até a decoração de uma sala poderiam ser boas ou ruins, se favorecessem ou desviassem da prática da virtude. A Revolução era o fenômeno que explicava a essência dos múltiplos erros disseminados na sociedade.

Enganar-se-ia, porém, quem julgasse ser a descrição sobre a unidade da Revolução o mais importante da exposição doutrinária feita por Dr. Plinio em Revolução e Contra-Revolução. Trata-se, isto sim, de uma explicitação magnífica sobre as três profundidades da Revolução, nas tendências, nas ideias e nos fatos.

As tendências desordenadas conduzem ao sofisma

As tendências, quando más, são inclinações veementes que, em decorrência do pecado original, incitam a alma à rebeldia contra o jugo da lei moral, a fim de satisfazer de forma licenciosa seus maus desejos. Se a pessoa cede a essas tendências desordenadas, acabará por justificá-las com algum sofisma, pois a transgressão da lei moral sempre é feita sob a aparência de bem, uma vez que ninguém é capaz de praticar o mal pelo mal. Cumpre-se assim o princípio enunciado por Paul Bourget:5 pelo fato de ser um monólito de lógica, ou o homem age como pensa ou pensará como agiu.

Esse caminho que o homem percorre para cometer um pecado é o mesmo que segue a Revolução para avançar nos fatos.6 Para a maioria dos autores e estudiosos do fenômeno revolucionário, somente as ideologias movem a sociedade às grandes reviravoltas. E quando as alterações políticas ou religiosas são efetivadas por meio de turbulentas rupturas, sangrentas ou não, está-se diante do que se costuma chamar uma revolução. Contudo, como acabamos de ver, o processo das mutações na alma humana começa em região mais profunda, antes da eclosão das ideias.

Um tipo de revolução modifica os estados de espírito e as ideias: na linguagem interna do Grupo, Dr. Plinio a chamava Revolução A, subdividindo-a em Revolução A tendenciosa e Revolução A sofística. A ela se segue, com ou sem emprego da violência, uma mudança nas instituições e nos costumes, ajustando-se ao estado de espírito recém-criado: é a Revolução B, nos fatos. Sempre a Revolução B é uma consequência da Revolução A tendenciosa e da Revolução A sofística, entre as quais a mais importante é a primeira. Este processo da desordem nas tendências à formulação de sofismas para justificar os feitos revolucionários é uma explanação inédita, exposta por Dr. Plinio com estupenda maestria.

Do ponto de vista histórico, com agudíssimo olhar profético Dr. Plinio anuncia o termo do processo revolucionário, já longo de cinco séculos. Baseado na sentença da Escritura "Omnes dii gentium dæmonia - Os deuses dos pagãos são demônios" (Sl 95, 5), ainda acena para o despontar do seu último estágio: "Nesta perspectiva, em que a magia é apresentada como forma de conhecimento, até que ponto é dado ao católico divisar as fulgurações enganosas, o cântico a um tempo sinistro e atraente, emoliente e delirante, ateu e fetichisticamente crédulo com que, do fundo dos abismos em que eternamente jaz, o príncipe das trevas atrai os homens que negaram Jesus Cristo e sua Igreja?".

Antes de tudo, um problema espiritual

Revolução e Contra-Revolução tem sido considerado por determinados leitores um livro antes de tudo político, quiçá socioeconômico ou psicológico. Houve quem, até mesmo dentro do Grupo, o julgasse mero tratado diplomático. Basta, no entanto, ler a obra com bom espírito para perceber que o prisma central de todas as suas análises é religioso, subjugado à Igreja e à vida sobrenatural.

"O fenômeno revolucionário, como está descrito na RCR,8 é antes de tudo um problema espiritual; o resto, por mais importante que seja, é secundário e colateral. O lado mais importante é a atitude que o fiel toma em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo e, mais especialmente, ao Sagrado Coração d'Ele, que é a quintessência de tudo quanto n'Ele há de perfeição e de amor".

Ora, se orgulho e sensualidade são as duas molas propulsoras da Revolução, como explica Dr. Plinio em sua obra, as duas condições essenciais para a Contra-Revolução são a humildade, oposta à soberba e origem de todas as demais virtudes, e a pureza. Não é difícil deduzir, conforme disse certa vez Dr. Plinio, que "a Contra-Revolução é a pureza e a humildade",10 e, para ela ser possível, tem-se necessidade absoluta de dar passos vigorosos nas vias da perfeição. O resto é acessório! Então, levando à santidade a opinião pública, estar-se-á fazendo Contra-Revolução. Dr. Plinio concluía que "a RCR é, a seu modo, um tratado do amor a Deus"11 e, "se tomada a sério, um manual de vida espiritual".

Fluência e densidade próprias à Sagrada Escritura


O leitor atento pode perceber o elevado grau de inspiração da obra, cujo resultado foi uma lindíssima ourivesaria: o modo de se exprimir é nobre, sublime e, ao mesmo tempo, sintético; a formulação é própria a uma obra tomista, adornada, entretanto, da expressividade característica de Dr. Plinio; a linguagem mostra-se tão precisa que nela nada se deve acrescentar, tirar ou mudar, como num relógio não se pode subtrair uma diminuta peça sem prejudicar seu funcionamento.

Revolução e Contra-Revolução é comparável à boa música: ouve-se todos os dias sem enfado, porque a cada vez se descobre um aspecto novo. De fato, respeitando as infinitas distâncias com a Revelação, observa-se na RCR um misto de fluência e densidade próprias à Sagrada Escritura e tem-se a sensação de que aquelas linhas são o pavimento de rutilantes pedras preciosas sobre o qual será construído o Reino de Maria, e que há de atravessar os milênios até o fim do mundo. O Autor, às vezes, tem a impressão de que só poderiam ser escritas se ditadas pela Providência, tal como os Exercícios Espirituais de Santo Inácio... é uma obra, a seu modo, divina.

Pouco depois da publicação da RCR, Dr. Plinio fundaria, no ano de 1960, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade - TFP, que passaria a agir sobre a opinião pública brasileira e mundial, mediante campanhas de difusão contra os erros comunistas e a infiltração esquerdista na Igreja. (Revista Arautos do Evangelho, Julho/2016, n. 175, p. 32 a 37)

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