Consumir toda a própria existência no anúncio de Jesus Cristo
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Consumir toda a própria existência no anúncio de Jesus Cristo
Dom Mauro Piacenza, Secretário da Congregação para o Clero - 2009/09/21

 

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Dom Mauro Piacenza
Como faz mensalmente, Dom Mário Piaceza (Secretário da Congregação para o Clero) apresenta profundas reflexões sobre o sentido do sacerdócio, e neste mês elas se centram no compromisso, que deve ser realizado de maneira digna e sábia.

"Quereis realizar de forma digna e com sabedoria o mistério da Palavra, no anúncio do Evangelho, e conservando a ortodoxia na exposição da fé?" (Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, editio typica altera , Typis Polyglottis Vaticanis 1990)

 

Vaticano, 12 de setembro de 2009

Caríssimos irmãos no Sacerdócio,

A «Nova evangelização» exige de cada um de nós, a um compromisso sempre renovado de apostolado e anúncio. O mandato do Senhor aos Apóstolos é, neste sentido, explícito e inequivocável: «Ide ao mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo» (Mc. 16,15-16a). O compromisso assumido durante a ordenação sacerdotal é exatamente aquele de "realizar o ministério da palavra", ou seja, consumir toda a própria existência no anúncio de Jesus Cristo, Verbo incarnado, morto e ressuscitado, resposta única e autêntica às exigências do coração humano.

A solicitude no "serviço da palavra" não pode ser simplesmente de alguns sacerdotes, particularmente sensíveis a tal dimensão, mas é a característica própria e irrenunciável do ministério presbiteral, constituindo a parte essencial do munus docendi, que foi recebido através do sacramento da Ordem, pela ação do Espírito Santo.

O rito prevê o compromisso de realizar este serviço de maneira "digna" e "sábia". A dignidade reenvia imediatamente ao objeto do anúncio: Jesus Cristo Salvador. Nenhum presbítero anuncia a si mesmo ou as próprias idéias, nem mesmo interpretações personalistas ou subjetivas do único e eterno Evangelho. Somos chamados a reconhecer a suprema "dignidade" Daquele que nos tornamos portadores e, por conseguinte, somos chamados a realizar tal serviço de forma "digna". Tal consciência traduz-se no compromisso de um aprofundamento constante das Sagradas Escrituras, «Palavra de Deus enquanto (...) colocada por escrito sob a inspiração do Espírito Santo» (Dei Verbum, 9). Certamente, este aprofundamento é exegético-teológico, mas principalmente, espiritual. O verdadeiro conhecimento das Escrituras é aquele do coração, que nasce da quotidiana intimidade com as mesmas, da Lectio divina, feita no álveo da Tradição dos Padres, da meditação profunda que, gradualmente, mas eficazmente, conforma a alma ao Evangelho, transformando cada sacerdote em um "evangelho vivente". Nós bem sabemos que "o Evangelho não é só palavra, mas o próprio Cristo é o Evangelho" (Bento XVI, Homilia, 12/09/09) e a Ele somos chamados a conformar-nos, também através do exercício do ministério do anúncio.

Juntamente com a dignidade de tal serviço, a Sacra Liturgia indica a "sabedoria" como característica. Tal característica, pressupõe a prudência e a capacidade de olhar a realidade segundo a totalidade dos seus fatores, sem absolutizar o ponto de vista humano, mas sempre em referência ao Único e Absoluto que é Deus. Uma pregação sábia leva em consideração, antes de tudo, as reais exigências daqueles aos quais se dirige, nunca impondo interpretações arbitrárias e insuficientes, mas sempre favorecendo a única coisa que realmente é necessária: o real encontro dos irmãos que a nós foram confiados com Deus. A sabedoria é capaz de distinguir circunstâncias, tempos e modos, é humilde e não coloca o pregador acima Daquele que deve anunciar e, muito menos acima da Igreja, que há mais de dois mil anos conserva o Evangelho.

Enfim, realizar de maneira sábia o "ministério da palavra" significa estar sempre claramente conscientes da obra de Deus em todo anúncio: é Ele que prepara os corações, é Ele que vai ao encontro dos homens, é Ele que faz desabrochar as flores de conversão e amadurecer os frutos da caridade. O Único "relativismo" que se admite é aquele que diz respeito a nós mesmos: devemos ser, como pregadores, totalmente "relativos a Deus"!

Dessa forma, descobriremos a eficácia e a beleza do ministério que nos foi confiado. Através do anúncio da Palavra, nos conscientizaremos daquela companhia íntima do Senhor, que ama quem dá com alegria e nunca abandona o seu servo, e contemplaremos, cheios de comoção, os frutos que Ele permitir e sentiremos a Sua companhia também nos momentos de Cruz.

 

Mauro Piacenza
Arcebispo Titular de Vittoriana
Secretário

 

FONTE: http://www.clerus.org/clerus/dati/2009-09/18-13/SE_Mauro_Piacenza_pt.html 

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